apresentado por

Electrolux

Homepedia
Receita que concentra forma, função e emoção na mesma panela, o bom design cada vez mais passa a constar como

Home design: a inovação na estética da cozinha

Receita que concentra forma, função e emoção na mesma panela, o bom design cada vez mais passa a constar como ingrediente principal na cozinha

Por Allex Colontonio

Quando o designer francês Philippe Starck desenhou sua peça mais icônica, uma nova revolução industrial começou a pipocar no universo doméstico. O ano era 1990, marco de novos tempos de contenção e equilíbrio na arquitetura de interiores, e o objeto, o Juicy Salif. Patenteado pela grife italiana Alessi, o espremedor de laranjas de shape intrigante foi comparado a uma aranha por alguns e a uma nave alienígena por outros tantos. De lá para cá, o cômodo que um dia foi confidencial ao ponto de ser construído como um anexo no quintal (você sabia que a cozinha, tal e qual o banheiro, só passou a ser vizinha da ala social na virada do século 20 e que começou a ser popularizada dentro de casa apenas na Era Vargas, entre os anos 1930-1945, à medida em que os sistemas de água encanada/esgoto iam chegando?), ganha versões cada vez mais turbinadas – inclusive nos eletros. 

As formas mais puras, ligeiramente aerodinâmicas, delineadas principalmente em aço inox (espécie de “pretinho básico” do prêt-à-porter gourmand), não só aprimoraram a ergonomia de fogões, coifas e refrigeradores, como saltam aos olhos como elementos de composição ultra-estéticos – por ser um objeto muito grande, a geladeira errada pode virar um trambolhão na cozinha. O contrário também acontece: uma peça bem desenhada pode disfarçar uma arquitetura não tão bem planejada (problema comum no caso dos apartamentos alugados, em alta no mercado imobiliário) e ainda desviar a atenção de um armário ou móvel pouco simpáticos. Por isso se investe cada vez mais nelas de dentro para fora e de fora para dentro. 

Em tempos de modernização minimalista, o fogão também deixou de ser uma mera caixa burocrática para ganhar painéis discretos, porém atraentes. Mais flat ainda, na versão cooktop, é um dos campeões de audiência no terceiro milênio, enquanto o forno elétrico e o micro-ondas passaram a subir pelas paredes, literalmente, embutidos na marcenaria. Com isso, pelas bancadas mais limpas e organizadas, reinam facas em que o desenho do cabo importa tanto quanto a lâmina afiada; panelas mais coloridas, com alças contidas; tábuas de corte que parecem catálogos de marca de tinta. Mas até as tradicionais colheres de pau rústicas da vovó começam a se render à sutileza do artesanato japonês, em contornos mais precisos, objetivos, sugerindo o look “menos é mais”. Numa época em que a beleza definitivamente se põe tanto à mesa como nos bastidores dela, o espremedor de cítricos do Starck não está mais sozinho. 

*

O jornalista, escritor e diretor de arte Allex Colontonio (@allexcolontonio), 41, dirigiu as revistas Casa Vogue, Wish Casa, Kaza e Giz. Também foi diretor da Fundação Memorial da América Latina e autor de diversos livros do segmento, como "Sig Style" (Editora Toriba, 2016), "Entrelinhas" (Editora C4, 2014) e a trilogia "Guilherme Torres Works" (Editora Acácia Cultural, 2018). Entre os curadores de design mais respeitados do país, atualmente publica a revista POP-SE (@pop_se) e o artbook @decornautas

designer espremedor de laranja

 

Publicidade Publicidade Home